06/02/2007 13:47
Novo e permanente endereço:
Caros amigos. O BLIG, pela enésima vez, conseguiu perverter uma coisa boa e saudável em um risco de enfarte. De um dia para outro eles deram minha cota como 100% utilizada, isso porque em um dia ela era de 40% utilizada e no outro de 0%. Agora resolveram sacanear de vez, sim, porque o BLIG não aceita reclamações, se você reclamar muito eles simplesmente tiram seu blog do ar, como fizeram com o meu. Tive que deletar 90% do meu blog só para deixar esse recado, mas vale a pena, já que será a ultima vez que postarei no IG e isso é pra se comemorar.
Assim, espero vocês em casa nova e peço que atualizem seus links. http://www.penacova2.blogs pot.com/
Abraços e adeus à incompetência nervosa do BLIG.
enviada por Andréa C
23/01/2007 20:33
O relacionamento homem/mulher nunca foi fácil. Acho que sempre foi mais homem X mulher. Somos todos criaturas estranhas e nossos sexos nos jogam em campos opostos e na maioria das vezes em planetas distantes. Podem escrever um milhão de livros sobre o assunto, mas ninguém nunca descobrirá, realmente, a formula do relacionamento perfeito. Na minha modesta opinião, a melhor maneira de se manter um relacionamento é cair na formula cansada e batida de questionar o porque de todos/as homens/mulheres serem assim. Homens adoram esportes, esquecem datas importantes, não gostam de opinar sobre moda e nem ver você experimentar 5 roupas em cada das 50 lojas de um shopping. Homens costumam ser mais diretos, não gostam de perder tempo com preliminares, de qualquer forma e em qualquer situação, parecem sempre ter pressa para chegar no fim ou ao começo. Homens não discutem a relação e se você ganha sempre as discussões é somente porque eles querem acabar logo com isso e partir para o sexo de reconciliação. Mulheres querem romance e paixão em medidas certas, lembram de seu primeiro encontro e a cor de sua cueca na primeira vez. Mulheres se enfeitam para que você as note e, apesar de muito da produção ser somente por vaidade feminina, a outra parte é um elogio à sua masculinidade. Mulheres querem mais do que sexo, querem que você diga o que sente, mesmo que ela saiba, querem que você não pare de telefonar só porque agora já estão juntos há algum tempo. Mulheres são inseguras, (mas convenhamos que a competição é grande e nem sempre justa) mas uma palavra lhes devolve a paz. Mulheres têm o poder de trazer conforto e um simples elogio pelo jantar saboroso ou a nova arrumação dos moveis é como um presente.
Mulheres e homens são diferentes, sempre vão ser. Não é natural treinar seu homem como a um cão para dar todas as respostas que você gostaria. Não é nada bom acostumar sua mulher que ela não pode esperar nada de você. Existem meios termos, mas estes variam para cada casal. Deixe que ele seja maníaco por espertos. Cumprimente-a pela sua beleza ou por qualquer talento que ela tenha. São pequenas coisas, mas são as pequenas coisas que transformam a vida.
enviada por Andréa C
22/01/2007 20:25
Comfort Memories / Comfort Food
Não são somente as pessoas e situações que nos marcam. Cores, cheiros, impressões e a comida que ingerimos são também fatores marcantes. Não consigo pensar em Curitiba sem lembrar do sansichão rosado, que por mais que tente não consigo encontrar igual por aqui. Ou da gasosa vermelha, tão docinha e gelada descendo minha garganta depois de tanto brincar. Ou a cerveja caseira da tia de Vó Joana, meu primeiro porre com 11 anos e a única cerveja que apreciei nos meus longos anos. Em Monteiro Lobato cada lembrança vem pontuada dos bolinhos das festas juninas e do quentão ao redor da fogueira, sem contar os bolinhos de chuva da Ditinha em casa visita à fazenda. Ou andando pela fazenda de Lucia, com o canivete pregado ao cinto, lembro de sentar na escada que vai ao pomar e de descascar a laranja com gosto de sol e cheiro de paraíso. E também,o queijo branco recém feito, macio como pele de bebê, aninhado em colheradas de doce de leite caseiro. Mas lembro da minha casa também, a banda em seu começo, o som das vozes animadas e de Rolling Stones ou The Who repetidos incansavelmente. As piadas pontuadas pelas bandejas de pasteis que minha mão fritava como se fossemos um batalhão. Ou mais no passado ainda, as voltas de viagem, a chegada em um casa aos gritos animados e a certeza que Vó Joanna estaria nos esperando com a mesa posta e coxinhas, empadinhas, quibes e docinhos pontuariam o final de semana perfeito. Talvez eu pudesse também falar dos perfumes, mas, sinceramente, me deu fome.
enviada por Andréa C
21/01/2007 23:12
HBO

Será que as boas idéias se acabaram? Vejo uma mesmice desanimadora nos meus 60 canais. As poucas boas novidades se vêem copiadas sem dó do pobre coitado do telespectador. As famosas novelas nacionais, que me recuso a assistir, parecem competir pelo enredo mais chulo. Com desespero vejo o aumento crescente do famoso reality show, que de realidade não tem nada já que mostra o pior das pessoas, pois não há ser humano na terra tão ignorante quanto aquele que participa destes programas. Parecem perder todo respeito próprio e, o pior, o respeito pelo próximo. É assim, vendo todos os dias a decadência humana e televisiva, que cada dia meu respeito e admiração pela HBO cresce. Sei que muitos não tem acesso ao canal, mas podem muito bem alugar suas séries em qualquer locadora decente. DEADWOOD, o seriado que fez da palavra “fuck” não um palavrão, mas sim um personagem a mais. Um Western tão real que você sente a lama entre seus dedos e o pó entrando pelas suas narinas. Os atores são um desfile de perfeição e me pego me apaixonando pelo pior deles, o melhor deles, o único e incomparável Albert Swearengen. Não paremos tão cedo no passado, vamos à ROMA, que não só nos mostra os últimos dias de Cezar, mas nos dá o prazer de olhar por trás da cortina do grande Império. E novamente me apaixono por simples mortais, ao invés dos poderosos, e Lucius Vorenus e Titus Pullo disputam meu coração aos pés do Coliseu. Mas você pode não gostar do passado e então pode se envergonhar do comportamento errático e completamente neurótico de Larry David em CURB YOUR ENTHUSIASM. Mas você pode ser muito jovem e então se jogue em ENTOURAGE acompanhando um belo astro à caminho da fama e sua trupe de amigos nada famosos. Se você gosta de ação e violência, viaje com OS SOPRANOS pelos becos e segredos da máfia e não tenha medo de se apaixonar por eles, o resto do mundo já caiu aos seus pés. Ou embarque em EXTRAS e siga a carreira de um pobre ator em inicio de carreira se sujeitando às mais absurdas tarefas como extra em busca do estrelato. Pode também tentar se infiltrar na investigação de THE WIRE, nas palavras de mano Urso, o melhor seriado dos últimos tempos. Por fim, vire fanático pela rede que não tem medo de ousar e que acredita que o telespectador ainda tem cérebro.
enviada por Andréa C
20/01/2007 21:27
Era uma vez... a assassina
A primeira vez foi como todas primeiras vezes. O choque seguido do medo seguido rapidamente pela excitação. A adrenalina parecia bombear sangue para lugares inexplorados de seu corpo e ela se sentiu mais viva do que nunca. A primeira vez não foi planejada. Nunca nem lhe passara pela cabeça ser capaz de tal ato, mas como todo animal ela fez o que era preciso para preservar a própria vida. Ela matara. Um ato que qualquer júri perdoaria. Autodefesa. Uma vitima nas mãos de um estuprador violento. Mas nunca ninguém soubera que o corpo sem vida do tão procurado assassino perdera sua vida com sua própria arma nas mãos de sua vitima. Ela escondera seu rastro, apagara qualquer vestígio e tentara voltar para sua vida. Foi impossível. A mesma energia poderosa que a tomara naquela noite fatídica, insistia em voltar quando se sentia minimamente ameaçada. Não demorou para que seu sangue bombeasse com tanta força por seu corpo que tornava impossível ouvir qualquer voz razoável que gritasse em seu cérebro. Ela matou de novo. E de novo. E novamente. Já não sentia o choque ou o medo, mas também não sabia mais a diferença entre o perigo real e o imaginário. Sua mente queria que houvesse motivo para mais uma morte, portanto ela via em cada sombra uma emboscada, em cada figura masculina um estuprador, em cada contorno feminino uma inimiga. Logo nada sobrou de quem ela fora um dia. Logo sua vida passada parecia como uma estória de fadas. Era uma vez uma mulher que não sabia matar. Era uma vez...
enviada por Andréa C
19/01/2007 20:14
Era uma vez... Barbies
Era uma vez uma boa menina. Não uma linda menina, nem mesmo uma menina excepcional, somente uma boa menina. Bonita é o termo, que já é encarado hoje em dia como o “simpática” de antigamente, o que quer dizer, não boa o suficiente. Simpática, realmente o era, viva e inteligente, mas insatisfeita com tantos predicados medianos. Ela sonhava em ser bela. Deixou de lado qualquer outra ambição em sua vida e se dedicou a reconstruir seu corpo para o prazer de outros. Numa era de cirurgias plásticas à prestação, ela conseguiu seu intento. Pôde se olhar no espelho e sorrir feliz para a Barbie despersonalizada em que se tornara. Peitos de aço, cabelo platinado, retaguarda empinada, dentes como linhas brancas e perfeitas, curvas criadas durante horas exaustivas na academia e no massagista. Pôde enfim sair pelas ruas virando cabeças com sua caixa baixa e seu top quase inexistente. Os homens faziam fila para tê-la, mas algo parecia não estar certo, nenhum deles ficava tempo suficiente para apreciar sua inteligência, vivacidade e simpatia. Haviam muitas outras Barbies e eles precisavam conhece-las também. Nossa boa menina ficou cada vez mais obcecada em ser perfeita. Aumentou ainda mais os seios que já pareciam balões prontos para zarpar para o fim do mundo. Parou de comer qualquer coisa que não fosse folha e verde e logo seus ossos saltavam por toda área de corpo que não fosse siliconada. Sua boca ganhou um esgar mau humorado, lembrando uma fera não muito satisfeita. Seu coração pesou no peito esquálido, cheio de rancor por um mundo que não lhe dava chance mesmo quando havia feito tanto para agrada-lo. Era ainda uma boa menina, mas já não parecia.
enviada por Andréa C
18/01/2007 14:22
Oh, Poop!
É o pó do cocô da mosca que voa por cima do cocô do cavalo do bandido. É assim que as coisas parecem em certos dias. Seus pais só conseguem pedir coisas ou reclamar de coisas ou entrar em uma competição idiota se suas coisas doem mais que as coisas deles. Seus irmãos só são seus irmãos em seu território e pedem toda a atenção de um caçula, mas no território deles são filhos únicos e fingem que você não existe para o mundo. Seus amigos, os verdadeiros e poucos, cansaram de te procurar em sua vida exilada e esperam pacientemente que você tome uma atitude, mas já estão com o saco meio cheio. Você mesmo está com vontade de gritar de que cansou de ser o pó do cocô da mosca do cavalo do bandido, mas fica sempre pensando que “talvez notem o que tanto me incomoda mesmo sem eu gritar.” News for you, my friend. Não adianta gritar, não adianta dizer a verdade na cara de pau de amigos e familiares. Todo mundo acostumou que você dá sem receber, todo mundo sabe que você faz o que for preciso para OS OUTROS serem felizes. Então agite esta sua bunda cansada e vá cuidar um pouco do que ninguém está interessado. A sua vida.
enviada por Andréa C
17/01/2007 20:58
Jardim Suspenso

O passo dos pingos no telhado se apressa. O vento arrasta a cortina numa dança frenética. O mundo pisa em poças empoeiradas. Os carros deslizam pelo asfalto luzidio. O que é velho e cansado parece renovado e olho pela janela com carinho para a vista que nos últimos dez anos é meu despertar e adormecer. Encaro as telhas vermelhas sabendo que na verdade não são tão belas e me ocupo em sonhar com flores brotando por entre elas. Um jardim suspenso para meu prazer. Sonhar assim nem sempre é loucura, mas se for, me chamem para sempre de insana.
enviada por Andréa C
16/01/2007 20:05
Algumas figuras me irritam e me irritam muito. Por causa do acidente na linha 4 do metro chego em casa e pego minha mãe grudada nos telejornais sensacionalistas que se aproveitam da desgraça alheia para melhorar o ibope. Não se engane. Ninguém quer prestar serviço para o povo com estas reportagens repetidas exaustivamente. Ninguém vai insistir em busca da justiça quando o contador do Ibope começar a baixar a sua agulha. Mas voltando à batata podre... Datena me irrita. Não só é grosseiro e arrogante como um péssimo “jornalista/ancora/paladino da justiça”. Acordei no Sábado para achar minha matriarca com lagrimas nos olhos vendo as imagens do dia anterior. Eu também me condoí pela dor alheia, mas logo esqueci de tudo para me irritar com o fantoche medíocre. Gritando como se estivesse na casa de sua mãe, Datena exigia resposta de Serra. Exigia saber o porque do governador não ter aparecido no local da tragédia. Demorou em seu rompante explosivo acusando o outro mosca morta de negligencia. Agora... Vamos por partes... 1° -De tão pobre “jornalista/ancora/paladino da justiça” que é, nem se deu ao trabalho de saber das noticias da noite anterior, onde poderia facilmente ter descoberto que Serra compareceu sim ao local do acidente. 2° - Como pode se dizer tão interessado quando é obvio que largou sua capa e espada quando deixou o trabalho e foi para sua casa confortável? Será que em vez de ver as noticias noturnas, como um bom “jornalista/ancora/paladino da justiça” teria feito, não ficou revendo sua atuação e sorrindo de satisfação se achando o máximo? 3° - Que raios Serra pode ter feito de bom aparecendo no local do acidente? Que raios qualquer político pode fazer de bom no local do acidente? Não está provado que eles não fazem nada, nunca? 4° - Porque é sinal de compaixão e respeito comparecer ao local do acidente? Não seria melhor que a mosca morta ficasse na sua poltrona de governador tomando providencias para isso nunca mais acontecer? (isso se o Brasil fosse um país sério, é claro) Ou para apurar as causas do acidente? 5° - Não se cansa esse incompetente “jornalista/ancora/paladino da justiça” de fazer perguntas toscas e sem sentido? “O senhor tem certeza que não existem mais vitimas? E se pessoas sem família estiverem soterradas?” ora, meu senhor, certeza só tenho de sua incompetência. 6° - Como é que com tanto gato pela rede das TVs pagas as pessoas ainda assistem esse cara?
Caros, todo mundo olha o sangue no asfalto. Todo mundo vê a desgraça com os olhos bem abertos. Mas será que é preciso assistir a desgraça descrita por ignorantes?
enviada por Andréa C
15/01/2007 21:24
Certo. Nem sempre é fácil saber o que fazer em um começo de relacionamento, mas na verdade o mais importante é o que NÃO fazer. Começos são lindos, como coelhos meiguinhos correndo pela grama verde, mas ao primeiro tropeço você descobre que os fofinhos tem a boca mais suja que a prostituta mais velha e acabada da zona de meretrício mais podre do mundo. Portanto é importante que não existam coelhos fofinhos no começo do relacionamento. Aqui vão algumas situações que pude observar.
Se sua nova namoradinha começar a usar aquela vozinha de criança para pedir algo e você acha “fofinho” das primeiras vezes, não tenha ilusões. Não vai mudar depois que a novidade passar. Cada vez que ela quiser algo vai esperar que a resposta seja a mesma que a do começo. “Sim, meu nenezinho.” Ao primeiro “não” você vai enfrentar o demônio do exorcista ainda falando com a vozinha irritante da sua sobrinha mimada. “Eu quero, eu quero, eu quero.” Corte o mal do começo ou arrume outra namorada com maioridade mental.
Ele arrota depois da cerveja e você gargalha. Ele exibe a exuberância de sua flatulência e você ri como quando era criança. Ele cospe pela janela do carro e você nem comenta. Tudo é tão engraçadinho no começo... Mas prepare-se para o pior filme de terror se entrar nessa. Ele nunca vai parar. Vai embaraça-la na frente de sua família, amigos e colegas de trabalho e nunca vai entender porque agora ele não é mais “engraçado”. Rir de um amigo que faz uma nojeira destas é perdoável, mas se der mole para seu namorado ele vai virar o homem das cavernas rapidinho.
Ela adora sexo. Não só adora como fala de sexo para quem quiser ouvir. No começo você se sente poderoso. Seus amigos ficam com inveja e as mulheres pensam que você é o super homem para dar conta de tudo que ela diz que você faz. Você sabe que não é tudo isso, mas entra no jogo. Você a apóia, sorri mesmo quando ela exagera nos detalhes, acha até graça quando vê o desconforto das pessoas que se afastam constrangidas. De repente você vê pessoas que admira te olhando estranho e as pessoas não riem mais para você, mas de você. A gota final é quando ela conta como se divertiram com seu vibrador na outra noite. O tanto que você gostou da novidade. Você acaba dispensando a desinibida, mas para sempre vão te perguntar aonde você guarda seu consolo.
Ele dá mil desculpas. Desde o primeiro dia ele vem com historias fantásticas para seus atrasos. Você aceita. E aceita. E aceita.Não é tão serio afinal e você não quer pegar no pé dele logo de começo. O tempo passa e ele nunca muda. Não existe outra mulher. Existe o mundo todo no meio do caminho entre ele e você. Ele simplesmente não consegue chegar na hora, lembrar de um compromisso, pegar o telefone para te dar um oi. Já não tem graça a sua cara de menino perdido. Ele é legal, divertido, inteligente, mas simplesmente é um cabeça de vento que vai ao sabor da maré sem nunca ter prioridades. Depois da segunda vez que ele te deixou esperando devia ter lhe dado um belo pé na bunda. Agora é tarde. Se gosta tanto dele e não quer deixa-lo, pelo menos arrume um amante, vai ter tempo de sobra para este.
enviada por Andréa C
13/01/2007 22:37
Pride and Prejudice, Não aceite imitação

Orgulho e Preconceito é o romance perfeito. Jane Austen não só escreveu a historia de amor perfeita, mas também descreveu uma época onde o ridículo cruzava o dramático diariamente e descreveu com um humor, perspicácia e sarcasmo que nunca puderam ser copiados. A famosa série da BBC inglesa, adaptação do livro, não somente foi impecável visualmente, como manteve palavra por palavra o belo dialogo que imortaliza a obra. Pouquíssimo foi cortado e nada foi mudado, nem da historia e muito menos da personalidade dos personagens. Perfeito é a palavra. Talvez por isso, por ter lido o original e visto sua mais bela adaptação, fico com um gosto amargo depois de ver a adaptação mais recente. Para quem nunca ouviu falar do livro ou da série deve ter sido bem difícil entender os sentimentos e motivações por trás dos personagens, sem falar que a maioria deles entra na historia sem nenhuma introdução e sai sem dizer adeus. O filme é uma sucessão de pessoas se dando encontrões pelo caminho e Jane Austen deve estar rindo mundo no céu dos escritores fabulosos. Afinal ela era mestra em ver o ridículo das pessoas e das situações, com certeza seu prato deve estar cheio com o festival de trapalhadas, os atores inexpressivos, os cortes em seu manuscrito e a obvia incapacidade dos roteiristas em perceber que salada de batatas sem maionese é só um monte de batatas fervidas.
enviada por Andréa C
12/01/2007 21:28
Caros amigos,
Apesar do que pode parecer, eu não abandonei minha cova. Estou somente limpando a casa. O blig diz que não tenho mais espaço disponível, por isso fui obrigada a passar as ultimas 5 noites apagando posts antigos (coisa mais chata de fazer já que o sistema do blig é muito precário para o que esperam que façamos). Pensei em mudar de blog, mas como não sei nada de HTML fica muito difícil montar um do jeito que quero. Por enquanto continuo aqui, à espera de achar uma casa melhor. Hoje termino a limpeza e espero voltar a postar normalmente. Espero. Abraços a todos.
enviada por Andréa C
04/01/2007 20:35
Ignorância Mata
A burrice não é um defeito tão sério quanto a ignorância. Hoje em dia não se pode dizer que alguém é burro, by the way, todos com esse pequeno defeito sofrem de algum mal composto de siglas que para mim são somente mais uma desculpa. A burrice pode ser obra do acaso, como quando a falta de recursos ou um habitat pobre impedem o crescimento mental da pessoa. Pode ser também fruto da preguiça do individuo, afinal é mais fácil se dizer deficiente do que desatento. A deficiência real, aquela que pode ser provada com algo mais que péssimo desempenho constante, é a única desculpa, para mim, que, nos dias de hoje, pode perdoar a velha e boa burrice. Todo o resto é pura ignorância. A ignorância é aquela teimosia no burro que se acha esperto, que erra com um sorriso no rosto, feliz por fazer o que não sabe, ignorando os conselhos de quem sabe. Ignorância é aquele pé fincado no lado errado das coisas só para se dizer dono de uma verdade. Ignorância é a maldade do incompetente para o competente, a intriga para derrubar o que sabe fazer deixando o caminho livre para o que somente finge saber. Ignorância é o gerundismo patológico daquele que não aceita correções e que discursa com suposta pompa nunca percebendo que seu parco vocabulário, e seus erros infantis, o tornam mais e mais ridículo. Ignorância é a falta de humor, é o excesso da atitude “politicamente correto”, é a falta de educação e cortesia. Ignorância é errar sempre e esconder debaixo do tapete nunca assumindo, é querer cargo, mas não a responsabilidade. Convivo com os dois tipos todos os dias e posso dizer que a burrice não me incomoda em nada, não é uma doença sem solução. A burrice tem cura. A ignorância não.
enviada por Andréa C
02/01/2007 22:22
Novo Mundo, Novo Ano
Foi fácil perder a noção das horas. Depois dos dias. Dos meses. Das estações e por fim dos anos que corriam enquanto eles viviam na escuridão do subsolo. Em menos de cinqüenta anos já não havia ninguém que se lembrasse do que era o sol, o céu ou a vegetação natural. Arvores figuravam na mesma categoria que unicórnios, figuras míticas de um povo que sobrevivia de sonhos. E muitos viveram somente de sonhos até a morte. Os livros e enciclopédias lhes contavam historias do que fora o mundo, os primeiros também fizeram questão de preservar a historia, por vezes bela, por vezes terrível, do que fora a humanidade. As mães eram as guardiãs da verdade, nunca deixavam que ninguém esquecesse do porque viviam nas entranhas da terra e muito menos que esquecessem que a ignorância dos homens podia estar escondida no seio da prosperidade. Sabiam cada data festiva de cada religião e cada região, apesar de não pertencerem a nenhum credo e terem perdido a noção de que ponto no mundo ocupavam. O mundo exterior morrera e para os herdeiros da escuridão só restava esperar que o veneno da prepotência dos seus antepassados um dia se dissipasse e fosse possível, novamente, andar sob um céu estrelado. De tempos em tempos um voluntário se arriscava no exterior. No começo nem mesmo retornavam, mas com o passar das décadas e séculos, começaram a retornar com historias de um mundo em recuperação, ainda mortal, mas em recuperação. Contavam de animais estranhos, talvez mutações das antigas espécies, mas também contavam de vacas, cavalos, ursos e pequenos animais que pareciam ter sobrevivido à radioatividade por milagre. Eles contavam e contavam para os ouvidos ávidos, contavam sem parar sabendo que suas vidas nada mais valiam a não ser como fonte de esperança para os que ficavam. Mas apesar disso, os voluntários continuaram a sair e a contar e a morrer. Até que um dia um deles voltou são. Corado pelo sol de uma primavera qualquer e com os braços cheios de flores e frutos ele chorou e contou. O veneno se fora e cinco séculos haviam se passado. Apesar de tudo não tiveram pressa, mesmo tendo provado da fruta fresca e do legume macio depois de tantos séculos de alimento crescido em terra fria, eles se prepararam e sonharam. Sabiam que desta vez os sonhos não seriam somente sonhos, mas sim uma antecipação da futura realidade. E eles subiram em quando o inverno chegava ao fim. A neve derretia criando riachos, enchendo rios, escorrendo de arvores que já mostravam a folhagem nova. Para eles esse dia foi o primeiro. Eles aprenderam a contar os dias novamente e se lembraram de como eles deviam se suceder. Encararam as estações com espanto e lagrimas e viram que o Éden, de tantos velhos livros, nascera da cinza radioativa e da estupidez dos homens. Contaram o primeiro ano e o comemoraram. E a cada primeiro dia de um novo ano eles celebravam e contavam. Os nascidos sob o céu visitavam o subterrâneo no ultimo dia do calendário e sempre voltavam no primeiro dia pensando como seus antepassados puderam sobreviver. E contavam. Contavam do medo da escuridão e do alimento sem sabor, que ainda plantavam nas entranhas da terra somente para este dia, e da água com gosto de ferro e enxofre que fazia o estomago contrair. Contavam com lagrimas nos olhos sabendo que tinham sorte, sabendo dos que nunca puderam contemplar as estrelas ou se secar ao sol. E depois que contavam, abraçavam seus parentes e amigos e diziam: “Feliz Ano Novo! Que o céu permaneça limpo sobre sua cabeça, que a terra dê seus frutos sem ser perturbada, que os animais procriem para dar a carne e o couro. Que a lei seja obedecida, que a palavra seja ouvida e que as guerreiras mantenham a paz nas montanhas e nas planícies, pois elas são herdeiras da verdade.”
Feliz Ano Novo.
enviada por Andréa C
23/12/2006 23:00

enviada por Andréa C
18/12/2006 20:57

enviada por Andréa C
12/12/2006 21:13
A criança
Os olhos eram grandes demais para o rosto diminuto. Eram olhos que viram demais. Olhos velhos em um corpo que nem mesmo estava totalmente formado. Os seios eram ainda um mero projeto para um futuro distante. A boca, que um dia poderia aprender a sorrir e mentir, ainda era doce e rosada, como somente a infância permite. As pernas ainda eram carregadas por pés que riscavam o chão com timidez, mas não inocência. Da inocência ela nem tinha memória. Os olhos velhos olhavam as pessoas, que enchiam o barroco onde morava, com uma espécie de curiosidade mórbida. Ninguém parecia perceber que ainda estava ali. Do canto do cômodo, onde estava bem agachada, podia ver os dois corpos no único quarto do barraco. A cortina que separava os aposentos fora afastada e a abertura, grande demais, parecia a tela de uma televisão, só que o sangue parecia menos real do que ela costumava ver nos filmes violentos que seus pais tanto gostavam. Ela sempre tinha pesadelos depois destes filmes e passava varias noites tentando se manter acordada pelo maior tempo possível, mas dessa vez ela pensava que dormiria muito bem, se acaso alguém lhe fornecesse uma cama para a noite. Suas pernas, ainda rechonchudas, já estavam dormentes de tanto ficar agachada naquela posição. Com esforço ela se pôs em pé, braços atrás das costas, olhos baixos, rezando para que ninguém a culpasse por nada, como seus pais sempre faziam. Essa fora a primeira vez que haviam voltado sua raiva um para o outro e o resultado fora definitivo e fatal. Ergueu os olhos devagar e olhou para os homens que cercavam os corpos e bloqueavam a visão do sangue, que ainda parecia falso. Mesmo tão pequena, se surpreendeu por não sentir nada a não ser alivio e medo, mas não pesar. Alivio por finalmente poder dormir sem pensar se seria acordada por gritos ou agressões sem motivo. Medo por não saber se teria um lugar para dormir. Um dos homens, tão alto que parecia alcançar o teto sem esforço, a viu e ela voltou a se encolher. Ele se aproximou devagar e se agachou ao seu lado. Sem falar ele acariciou seus cabelos, e a examinou atentamente. O gesto trouxe lagrimas aos olhos velhos, ela nunca soubera que carinho poderia ser tão bom. Ele a pegou nos braços e passou a olhar seus braços e pernas. Deu um suspiro profundo e zangado e levantou sua blusa. A olhou longamente, incrédulo. O pequeno corpo era um mapa de torturas, marcas de cigarro, arranhões e pode ver até algumas mordidas de rato. Como seus olhos velhos podiam ser tão macios? Ele a levou para seu carro, quase a escondendo dentro de seu casaco. Fez sinal para que ela ficasse bem quieta e voltou para o barraco. Ela dormiu, sem pesadelos, sem medo. Muito tempo depois ele voltou ao carro com seu parceiro. Os corpos já haviam sido retirados e a cena do crime processada. Nada mais restava. Pelo menos nada mais que constasse dos relatórios que seriam feitos. Ele a cobriu melhor e olhou para o companheiro. “Você me cobre nessa? Você e os outros?” O parceiro o olhou e depois correu os olhos pela garota encolhida no banco traseiro. “Hei! Nem se preocupe. Quem vai lembrar da pobre coitada?” E foi assim. Quando ela pensava que tudo havia terminado ainda era apenas o começo. Ele chegou em casa e abriu a porta com ela nos braços. Sua esposa dormia no sofá, cansada e ainda abatida pelo ultimo aborto. Ele colocou a menina ao seu lado e sentou aos pés das mulheres que protegeria até o fim de sua vida.
enviada por Andréa C
10/12/2006 21:23
Sobre homens e mulheres: 1
Nos romances, escritos por mulheres para mulheres, os homens são sempre o ponto principal. Têm a gama certa de brutalidade, a beleza física de um Adonis, o mistério da alma de poeta, o talento nas mãos de artista e o brilhantismo no cérebro de cientista/industrial/inventor/escritor/e tc/etc E as mulheres suspiram e procuram por este espécime ficcional como se ele não fosse tão real quando um velocireptor que adotou uma ninhada de patinhos. Na vida real você tem que ser mais objetiva. Beleza não é fundamental, mas inteligência sim. A beleza morre quando a boca, apesar de deliciosa, não consegue completar duas sentenças que façam sentido. Se você for tapada, como muitas mulheres hoje em dia, então nem precisa se preocupar. Pegue a beleza e o cérebro de minhoca e sejam felizes com a ninhada de filhotes estúpidos que certamente vão pôr no mundo. O fato é que homens estúpidos e belos só servem para uma coisa e se apaixonar por um deles fala mais sobre você do que sobre o pobre coitado. Se numa temporada no interior um cowboy de peito sexy, chapéu estiloso e mãos calosas te interessar, não espere que ele de repente saiba conjugar todos os verbos corretamente ou mesmo entenda tudo que você diz. Um bruto é um bruto e lapidar um deles não é tão fácil ou viável como você gostaria de pensar. Não existe homem rude que em seu intimo seja um gentleman. Não existe gentleman que no seu intimo seja Indiana Jones. Escolha seu tipo e esqueça os romances de banca de jornal, eles são nossa Playboy e somente isso. Mulheres que estão preocupadas com homens tanquinho logo vão descobrir que eles perdem tempo demais para transformar seus abdomens e pouco tempo para explorar sentimentos mais profundos. A era da beleza física ainda está no auge, mas abra os olhos, o homem perfeito para você pode não ter, fisicamente, nada do que deseja, ele pode estar em uma embalagem bem mais simples. Desejo e amor são coisas que podem se fundir ou podem caminhar separadas. Para o desejo, somente, o cowboy com cérebro de melão mole pode servir, mas para o amor... Para o amor eu desejaria uma alma nobre, um cérebro inquisitivo, um espírito alerta, ambição equilibrada em ombros honestos, um coração sincero em um corpo que me desse prazer apesar de imperfeito, como o meu próprio.
enviada por Andréa C
06/12/2006 20:59
Filha da Lei
Depois da guerra, das bombas, da revolução das mães, os poucos que sobraram sobreviveram no subsolo por muito tempo. Dizem que se passou mais de um século antes que seus descendentes saíssem de vez para ar livre e um mundo de destroços. Pouco se perdera sobre a teoria da tecnologia usada antes, mas ninguém nunca pensou em voltar para um mundo tão disposto a se destruir em poucos segundos. A terra voltou a ser feudal e as pessoas viviam em relativa paz, espalhados por sua imensidão, ameaçados por poucos e protegidos por uma única irmandade. Alguns as chamavam de amazonas, outros de protetoras, mas elas mesmas se denominavam Filhas da Lei. Eram descendentes das mães responsáveis pela revolução e protegiam a única lei que o mundo agora respeitava. Viver e deixar viver. E não era simples para alguns obedecerem algo tão simples. Sempre houveram e sempre haverão aqueles que querem mais. São sempre estes que matam, roubam, mentem e trapaceiam. São estes que invejam o produto do trabalho árduo, mas que nunca derramaram uma gota de suor para ganhar seu sustento. A lei é simples, mas a punição por desrespeita-la é a morte. Sabendo disto é duplamente culpado o que a quebra.
Mas a historia é sobre Lia, afinal já sabemos sobre o resto. Lia colhia tomates ao nascer do sol. Estavam ainda brilhando pela unidade da noite, apetitosos e frescos e recolhidos nessa hora, preservavam todo sabor da lua quando consumidos. Pelo menos assim Lia pensava. Não fazia muito tempo que estava nesta vila, mas desde que chegara tomara para si o cuidado da horta, que não era trabalho mais apreciado já que ficava fora dos muros que protegiam a comunidade. Lia colhia e esperava, olhando para o horizonte, para a estrada de asfalto corroído e partido por onde nasciam flores e mato. Entre a estrada e a montanha, uma coluna de pó começou a se formar no horizonte. Lia colocou a cesta de tomates na beira do poço que ficava na entrada da horta e fechou a capa longa que só oferecia um vislumbre de suas roupas de couro e algodão puro. Eram em cinco, em cavalos possantes e espadas brilhantes. Lia logo pode ver o sorriso lascivo que tomou suas faces quando a viram. Não era a primeira vez que vinham e nem era ela a primeira vitima. Eles roubavam, estupravam e matavam e voltavam quando a fome e o desejo lhes torciam as entranhas novamente. Eles desmontaram e se aproximaram devagar, formando um arco que logo seria um circulo que a prenderia para sempre. Não demorou nada e ela se surpreendeu com isso, afinal era sua primeira vez. Em menos de 10 minutos eles estavam mortos e ela viva, apesar de alguns ferimentos. Suas companheiras saíram da vila e em um ritual que durava séculos, a beijaram, cada uma por sua vez, e lhe deram lembranças que ela guardaria para sempre. Lembranças do dia em que se transformara em guerreira, uma das filhas da lei.
enviada por Andréa C
03/12/2006 00:30
Dezembro chegou
Acho sim o Natal uma época festiva e até me sinto mordida pelo bichinho irritante da animação desenfreada, mas será preciso que todos ajam como vitimas de furacão? Eu e mano urso cumprimos nossa obrigação semanal e partimos com o coração pesado rumo ao supermercado. Por alguns instantes ele ameaça fazer jejum durante uma semana, mas jejum nunca foi nosso forte. Acho que passamos a fazer as compras juntos para dividir a irritação que a ignorância humana nos desperta. Podemos morar em casas separadas, mas partilhamos os mesmos genes, é natural queremos nos unir na tragédia como na alegria. Então partimos. Ele com suas ameaças vazias de jejum e eu pensando que deveria ter levado uma arma para acabar com a lerda que atende o balcão de frios. Não é preciso muito tempo, dois minutos desde a entrada, para que eu me irrite. No balcão de frios a lerda não está, mas a fila de esquisitos já basta. Uma mulher, com educação suspeita, examina meu carrinho e até estica a mão para ele tentando ver se eu conseguira algo a mais do que ela. A encaro com olhar homicida e rosno como aprendi com meus cães. Na geladeira de carnes, onde pesquiso o preço de tender, uma outra senhora esquisita teima em querer pegar as mesmas peças que eu e só sossega quando lhe afirmo que não vou levar nenhum. Em retirada lhe digo “pelo menos não hoje” com um sorriso que espero ser lupino e ela, desconfiada, tenta proteger a geladeira com seu corpo de Dona Benta. No corredor das bolachas me deparo com um senhor indeciso que começa a me seguir como se eu soubesse o que faço. Escolho algumas bolachas que ele rapidamente também abocanha e acabo fugindo correndo para o corredor de vinhos. Má idéia. Fregueses enlouquecidos cercam uma jovem que teve a infeliz idéia de aceitar o emprego de demonstradora para uma marca de vinhos. Ela bem que tenta encher os pequenos e frágeis copinhos de plástico rápido o suficiente, mas a matilha é incansável. Eu corro com meu carrinho por trás deles, mas o faro destas feras é terrível e recebo olhares ferozes. Escolho minhas frutas e legumes como se o próprio diabo estivesse atrás de mim e saio correndo para o caixa como quem naufrago para a praia. Tenho um vislumbre de mano urso, quase 1,90 de cavalheirismo e bom humor, agora fumegando e com cara de quem preferia o jejum. Já no carro, com Foo Fighters gritando nos alto falantes, sentimos o mesmo que o soldado no fim da guerra. É uma luta idiota, mas pelo menos conseguimos o direito a comer nossas batatinhas.
enviada por Andréa C
29/11/2006 20:08
Desperdicio
Muito se tem falado de anorexia. Mais ainda se tem falado dos responsáveis pela moda que vem ganhando cada vez mais força e menos peso. Mas ninguém fala das jovens a não ser como vitimas. Eu as encontro no ônibus ocupando um espaço absurdamente mínimo, nos restaurantes comendo folhas de alface e tomando água, eu as vejo nas revistas retocadas pela mágica do photoshop que apaga as imperfeições que a extrema magreza expõe com crueldade, eu as vejo pela net exaltando suas melhores amiga, Ana (anorexia) e Mia (bulimia), como o caminho para a felicidade. Sinto se ofendo algumas sensibilidades, mas não sinto a mínima pena quando leio que uma jovem de 20 anos, 1,75 mt de altura e 45 quilos de peso morreu. Com 20 anos não se é mais inocente, ainda mais neste século de vaginas expostas. Elas sabem o risco. São como os que começam a se drogar dizendo “paro quando quero” indo contra o que todos sabem, que essa viagem não tem volta. Hoje se chama a tudo de doença. O alcoólatra é doente assim como o drogado e agora as anorexicas e bulimicas. Isso isenta de responsabilidade o individuo e joga a carga nos familiares, amigos e companheiros de trabalho. Ser modelo parece hoje ser a única coisa que uma garota quer e se seu agente lhe diz para emagrecer 5 de seus parcos 50, ela aceita sem contestar, sem pensar em sua saúde ou tipo físico, sem imaginar que existam outros caminhos onde ser um saco de ossos não é obrigatório. Pode parecer belo na revista, depois dos retoques, da maquiagem, das luzes que escondem que a pele de 20 já atingiu os 40, mas de perto é assustador. Estamos frente a uma geração que não tem cérebro e nem vontade, seguir a onda é o que importa. Não, eu não tenho pena.
enviada por Andréa C
27/11/2006 19:49
O Vampirismo Segundo Daniel (8° parte)
Foi mais ou menos assim que aconteceu... Ou pelo menos foi como me contaram.
Dracula sempre foi atraído pelas sombras e sempre procurou rastros de qualquer verdade por trás de qualquer lenda de terror. Com paciência, e a fria inteligência que infelizmente possuía, conseguiu rastrear um pobre vampiro solitário e austero que vivia não longe de suas terras. Mesmo uma criatura das trevas pode ter medo e dor e Dracula sabia como fazer até o demônio tremer de medo. A dádiva da vida eterna não lhe foi dada, mas sim roubada pelas mesmas mãos gananciosas que mataram o próprio povo por puro prazer.
O grande idiota não estava satisfeito em viver na historia como um assassino perverso e insano depois de sua suposta morte. Ele queria mais. Queria seu nome sussurrado em lábios trêmulos e portas de casas simples barricadas pela simples possibilidade de sua passagem. Em seu cérebro distorcido teceu uma historia de horror onde seria o primeiro de nossa espécie a ser conhecido e talvez, se jogasse suas cartas de maneira eficiente, poderia tomar para si a honra de ser o primeiro vampiro, pelo menos para o mundo ignorante. Com medo de dividir glorias, cercou-se de mortais com desejos de imortalidade e quando estes ficavam ansiosos demais pelo premio prometido ele secava seu sangue, seus sonhos, suas vidas. Seu império de terror continuou, mas os antigos se levantaram contra ele e ele finalmente conheceu o medo. Pela primeira vez os antigos se uniam para combater e não para dividir o fruto de suas mentes, mas eram fortes, mais fortes e brilhantes do que Dracula poderia desejar. Sua vida se transformou num eterno funeral. Seu caixão viajando o mundo em busca de um santuário. Irônico, não? Começou então a criar vampiros escolhidos entre jovem fortes e promissores que cruzavam seu caminho. Seu mal foi nunca lhes dar uma escolha e logo tinha uma geração inteira de vampiros descontentes bem dentro de sua casa. Entendam que não eram poucos, ele passou mais de um século tentando construir seu exercito de imortais e se fosse um pouco mais humano teria triunfado. Mas ninguém pode amar um tirano. Tiranos morrem pisoteados pelos seus próprios servos. Tiranos são esmagados pelo rancor daqueles que foram criados por eles. Eu sei. Eu estava lá para vê-lo cair. Eu fui criado para o atrair, e por fim, o trair.
enviada por Andréa C
24/11/2006 19:54
Brokeback Mountain
Relutante como sempre, quando o assunto é drama, eu assisti Brokeback Montain. Não que me incomode o assunto gay, apesar de estar meio farta dele já que a tecla está tão batida quanto pais comuns se transformando em Rambo para salvar suas famílias, mas porque a vida já é muito difícil para ainda acrescentar dissabores fictícios aos meus reais. Drama mesmo, para mim, é pegar o Ana Rosa na Berrini às 6 horas da tarde. Mas como é preciso ver para torcer o nariz, lá me ajeitei eu com meu pacote de biscoito de polvilho e minha garrafa de água na noite de tempestade de domingo. Travesseiros ajeitados às costas e cachorros me cercando eu apertei o play e esperei. Logo se percebe a diferença entre uma historia de amor e uma de apologia gay. Nunca se sente desconforto em nenhuma cena e nem mesmo aquela sensação de estar espiando o que não se devia pelo buraco de uma fechadura suja e enferrujada. O que sobressai, o que marca mais que tudo, é o imenso amor que não tem lugar e nem chances. O que marca é o desejo maior que o mundo de um de se entregar ao único sentimento real de sua vida. O que pesa é a racionalização do outro que mesmo o amor verdadeiro não tem chance perante um mundo de hipócritas. É dolorido sim, e cada encontro trás lagrimas aos olhos enquanto pensamos “tem que haver um meio” porque cada um de nós sabe que encontrar o amor é quase impossível, é quase um mito. A violência, tão masculina, presente em cada encontro de Ennis e Twist é mais excitante do que qualquer Sharon Stone mostrando o que não deve em salas de interrogatório. Não existe um beijo ou carinho que não seja belo de se ver e que não encontre caminho para nossos corações. Os brutos também amam, sim, e não são delicados, não perdem sua masculinidade, não viram decoradores. Eles simplesmente amam. Ao fim, choramos com Ennis pelo sonho que nunca se atreveu a realizar e rezamos uma oração para que Twist reencarne em uma época em que toda sua paixão nunca seja condenada.
enviada por Andréa C
21/11/2006 20:10
Lobo do Mar
Não há muito o que fazer a estas horas. Metade de meus homens dorme em suas redes embalados docemente, os outro fingem estar atentos em seus postos, mas bem sei que essa noite de brisa é propensa aos sonhos. Eles dormem de olhos abertos, seguindo seus corações para além desse mar infinito em direção a terra. A nossa terra. Muitas vezes até me esqueço onde é meu lar. Passo mais tempo cruzando as tabuas deste deck do que em terra firme. Sou o rei neste pequeno pedaço da minha pátria. Sou o Capitão, senhor absoluto da vida de meus 127 companheiros. Toda decisão que tomo pesa não só sobre mim, mas sobre as suas vidas e sempre é difícil decidir. Em mares tão belicosos as aventuras são sempre tragédias e um final feliz é onde conto menos mortos entre minha tripulação. Muitas vezes passamos meses sem encontrar um só navio inimigo para então nos vermos sob fogo cerrado por semanas. Mas essa é minha vida desde que era não mais que um garoto e fora dela sou como um urso em sapatilhas de salto em uma loja de cristais com corredores estreitos. Não demora agora para o novo século, mais alguns dias e estaremos em 1800. Fico pensando, enquanto olho para o rastro prateado da lua no mar calmo, o que trará o futuro. Quantas batalhas ainda conseguirei vencer amparado por essa sorte que me deu fama e a adoração de todos sob meu comando. Quantas portos estranhos e línguas exóticas encontrarei. Quantas vezes me apaixonarei por mulheres de nomes musicais e honra duvidosa. Quantas vezes pisarei em terra temendo nunca mais zarpar. É culpa da brisa, esses pensamentos românticos em meu cérebro criado para a guerra. A brisa torna tudo belo e a lua não fez pior trabalho ao transformar meu belo barco em um imenso brinquedo de prata. Ah, brisa... Não é só às mentes simples que tu transtorna...
enviada por Andréa C
18/11/2006 22:06
A arma parecia um grande ponto de interrogação caída no meio da sala. Policiais de todos tipos e tamanhos cruzavam o espaço apertado, se ocupando sabe Deus do que. Na verdade nada importava. Ele estava morto. Eu tentei me fundir à parede, chocada demais pelo fim trágico do que parecia somente o começo. Um noivo assassinado em sua sala de estar não é o que se espera encontrar quando acabamos de fazer a prova final do vestido de noiva. Pelo meu cérebro mil hipóteses corriam loucas como ratos de laboratório. Roubo? Vingança? Meu finado noivo era tão passivo quanto uma pomba e o único inimigo que tinha era ele mesmo, com sua baixa estima e seu medo de enfrentar os desafios da vida. Seu belo rosto agora parecia um borrão de carne ossos e sangue. Senti minhas pernas cedendo sob o peso do choque e logo braços fortes e vozes seguras e compassivas me levavam a segurança do quarto onde ainda tudo permanecia intocado. Diziam-me palavras que sei serem de consolo, mas eu só conseguia escutar um zunido agudo e lembro de ter me preocupado em sorrir por entre as lagrimas em agradecimento pelo suporte moral e físico. Não posso nem começar a dizer o que é ter um ser amado levado pela violência de estranhos. É como ter um buraco negro no centro de nosso corpo que suga nossos órgãos e provoca uma dor insuportável e impalpável. Levantei meus olhos e vi um grupo de policiais que falavam e me olhavam com pena e logo um deles se aproximou de mim. Trazia nas mãos um pedaço de papel em um envelope plástico. Ele se sentou ao meu lado e som um “Eu sinto muito” me mostrou o bilhete, mas o deixando fora de meu alcance. Era curto, covarde e cruel. “A morte é a melhor saída para mim. Não sou bom o suficiente para você. Desculpe, mas não tenho coragem de te dizer que não te amo.” E assim, em um segundo, tudo mudou. O buraco negro que ameaçava me engolir se transformou em um vulcão prestes a explodir. Levantei com calma. Alisei meu vestido. Sorri para o policial tão solicito e andei até o centro da sala onde o patife ainda jazia, morto para o bem da humanidade. Foram preciso seis policiais para me tirar de cima do covarde idiota, mas não antes de eu dar uma surra nele.
enviada por Andréa C
16/11/2006 19:32
O Vampirismo Segundo Daniel (7° parte)
Não sei quem foi o primeiro, e duvido que alguém o saiba, mas sei como eram os antigos e quando penso neles sinto um pouco de orgulho de pertencer a esta tribo sangrenta.
Durante muito tempo, falo de séculos, só os mais valiosos dos homens ouviam falar de vampiros, só estes recebiam o convite à vida eterna e geralmente o aceitavam. Nenhum deles era jovem, todos já encaravam a possibilidade da morte prematura que aqueles séculos nos presenteavam. Lembrem-se que há não muito tempo atrás um homem ou mulher de 40 anos já era considerado em seu fim de vida. Todos estes antigos sanguessugas tinham enorme respeito pela vida dos mortais e existiam criando o mínimo de dano a estes seres entre os quais haviam vivido. Pode-se dizer que os vampiros eram uma irmandade de sábios que só escolhiam um pupilo para segui-lo se este fosse singularmente dotado de inteligência e caráter, mas o mais importante sempre era que entendessem que essa suposta dádiva era também uma maldição. O estilo de vida escolhido por eles era de estudos e não de orgias sangrentas e o ato de se alimentar era a hora mais temida e lamentada por todos.
Foi assim durante muitos séculos. Sábios vivendo em reclusão, amaldiçoados pela sede de sangue, se reunindo de tempos em tempos para dividir suas descobertas, poemas e invenções. Alguns dos grandes trabalhos destes mestres foram postos em mãos humanas para o bem do mundo. Foi assim.... Durante séculos... Até Dracula...
enviada por Andréa C
15/11/2006 12:40
Girls Talk
-Mas eu não quero esperar. Quero arrancar a roupa dele ainda no elevador!
-De jeito nenhum. Você conhece a regra. Só depois do terceiro encontro.
-E quem inventou essa regra? Só pode ser alguma idiota que não consegue transar nem depois do décimo encontro. Não tenho tempo pra esses charminhos, já passei dos quarenta, agora é vapt vupt ou pé na estrada.
-Você quer que ele te ache fácil?
-Mas eu tô fácil! Tô facinho, facinho...
-Ai, Dé, como você quer arrumar um marido desse jeito?
-Mas eu não quero! Tá tudo muito bom do jeito que está. Ele lá, eu cá e de vez em quando a gente se encontra no meio do caminho.
-Você fala isso da boca pra fora...
-Porque é tão difícil entender que não quero casar?
-Vamos ser honestas, eu também falo isso , mas é só pra eles ficarem mais interessados.
-Então você é mais besta do que parece.
-E sem marido como você quer ter um filho? Ou vai entrar nessa de produção independente? Já pensou nas despesas?
-Mas eu não quero filhos. Não quero marido, nem filhos e nem dividir minha cama de casal. Quando achar alguém que pense como eu vai ser a união perfeita. Separados e felizes para sempre!
-Sem filhos? Não é à toa que te acham esquisita, Dé. Não pode sair falando essas coisas por ai. Vão acabar acreditando.
-...
-É verdade. Lá no fundo você é como toda mulher. Quer casar, ter filhos e quer dividir seu espaço com alguém que tome as decisões importantes por você.
-Obrigada. Você me ajudou muito. Fez eu descobrir a verdade sobre meu eu interior.
-Ah, de nada. Você ta falando sério?
-Claro que não, sua besta!
enviada por Andréa C
11/11/2006 23:15
Dancing with the Devil
Todos temos um lado negro e, como o tão conhecido Dart Vader, podemos nos entregar a ele ou simplesmente procurar pela maldita luz interior a cada vez que a escuridão turva nossos pensamentos. Ninguém pode dizer que nunca pisou nas trevas, mesmo que por breves momentos. São aqueles instantes onde deixamos que o ódio, a inveja, o ciúme, nos comam o fígado e parte do coração. São nestes instantes que imagens sombrias e cheias de sangue fazem sentido em nossas mentes calmas e prosaicamente urbanas. É esse lado negro que força o pé no freio ao ver o acidente onde sangue e ferragens são banhados pela luz dos carros de policia. É esse lado que assiste aos noticiários esperando pelo banho de sangue diário e que aluga os filmes que falam de todos os graus de horror, terror e maldade. Somos todos maquinas imperfeitas e prontas para entrar em colapso. Permanecer puro é impossível, se entregar ao mal é perder o que existe de melhor em nós. A luta diária para dominar nossos instintos primitivos é violenta e cada vez mais de nós sucumbem e se tornam criaturas despidas das emoções mais belas que o ser humano possui. Talvez o segredo seja dançar com seus demônios, somente musicas diminutas e suaves, que não excitem o desejo da entrega, mas longas o suficiente para sentirmos o cheiro de enxofre e recuarmos em um espanto mesclado de admiração.
enviada por Andréa C
08/11/2006 21:26
Pegadas
A areia fina faz molde de meus pés cansados de calçados feitos para exibição ao invés de conforto. Olho para trás e vejo minha trilha ondulante sumindo na curva da praia. É estranho. Cada passo daqueles, cada molde delicado de meu pé na areia dourada, é passado. A maré se enche enquanto uma lua pálida desponta de frente para o sol que mergulha no oceano. As ondas avançam cada vez mais e logo me alcançam e a todas aquelas pegadas. Nada sobra. É como se minha vida toda tivesse se apagado como num passe de mágica e só me reste agora o traçar novas pegadas que sejam profundas, em barro bom de ser moldado e que se molhado só conserve ainda mais a forma de meus passos, mesmo que trôpegos e indecisos. Fico meio ancorada na areia. Daquele jeito maluco e delicioso, até meio estranho, de quando nos deixamos ficar parados na areia enquanto ondas e ondas nos lavam de todos nossos pecados e pesadelos. O vento me toma em seus braços delicadamente. Meus cabelos voam como se tivessem vida própria e vejo o mundo entre os fios castanhos e finos que acariciam meu rosto. O sol e a lua sorriem. O mar continua sua dança em torno de minhas pernas e eu me deixo ficar, braços abertos e mente vazia, nesse instante infinito. Tudo é novo a partir deste instante.
Não sei se foi sonho, se um dia vivi este momento, se é desejo que passa como um filme por trás de minhas pálpebras. Mas isso importa?
enviada por Andréa C
03/11/2006 21:42
Túnel do Tempo
Rostos quase esquecidos nascem novamente para mim. Preservados em fotografias envelhecidas e muitas vezes danificadas, eles vivem quando transporto meu baú de recordação para o século XI. Tomada por um novo vicio, a arte do Scrapbook digital, ando a passos lentos na tentativa de digitalizar um milhão de fotos que contam minha vida e dos que vieram antes de mim. Olho cada uma delas ao coloca-las no scaner, mas é quando as abro no meu computador que vejo e relembro os sentimentos por trás das figuras congeladas no tempo. Vejo rostos que hoje não me dizem nada e talvez até me despertem um pouco de desprezo, mas que décadas atrás ainda eram queridos e retribuíam na mesma medida. É uma viagem que trás muito de melancolia, mas muito mais de certeza. Quando olho para estas pessoas, que já não fazem parte de minha vida, fico feliz de sentir que os amei até onde pude e nunca fui eu a colocar distancia entre nós, mas sim eles que cederam à ignorância e mediocridade. Outros, e para estes eu reservo as lagrimas sentidas, se foram pelo mundo afora como as pessoas fazem, foram viver suas vidas como eu vivi a minha e se perderam de mim como eu me perdi para eles. Mas para todos os rostos eu reservo um sorriso, porque amei e fui amada naquele instante congelado para sempre. Eu lembro. E me conforto por lembrar.
enviada por Andréa C

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